sábado, 31 de outubro de 2009


É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha. Contanto que vos embriagueis. E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder: É hora de se embriagar! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.



(Baudelaire)

sábado, 10 de outubro de 2009


MEU VIOLÃO


Só você meu violão
sabe dos meus sentimentos,
das alegrias e dores
que trago dentro do peito;
sabe dos meus dissabores,
alegrias e temores,
e das horas de solidão.

Só você meu violão
sorri e chora comigo
- entre nós não há segredos,
você sabe dos meus medos,
meus sonhos, minha paixão.

Só pra você eu desnudo
minh’alma, minha emoção,
suas cordas são afinadas
no tom do meu coração.